De toda forma, já faz um tempo venho querendo relatar acontecimentos do meu cotidiano e não tenho com quem compartilhar, ou então, as vezes, são pessoas demais para se falar. É, ironicamente, tudo na minha vida acaba sendo extremo, não apenas minha personalidade. Ou é tudo, ou é nada.
Mais ironico ainda é o nascimento desse blog. Dias atrás, 04 de Janeiro de 2009, morreu uma pessoa que eu não sabia ser tão querida para mim, até então. Há muito tempo que uma morte não demora tanto para me cair.
Meus amigos mais próximos já sabem de quem estou a falar. A melhor diretora que já tive o prazer de conhecer, além de uma excelente pessoa, Evany Brazil. Alguns podem achar que estou apenas fazendo caso e falando da boca para fora, visto que durante meus anos de estudo no Colégio Objetivo de Nhandeara briguei e discuti por inúmeras vezes com a diretora… mas é aí que está. Qual aluno tem a moral para ir discutir com uma diretora?! A maioria tem MEDO. Eu não tinha medo. Eu tinha RESPEITO, e ela reconheceu isso! Durante vários anos eu falei mal sim dela, alias, não dela em si, mas sim dos feitos… mas eu não passava de um estúpido estudante alienado, como vários outros. Apesar de respeitá-la, não entendia as decisões tomadas e criticava, como dito, de forma dura demais. Hoje, após ter terminado o colegial, feito 1 ano de cursinho, passado na faculdade, feito seis meses de curso e mudado de idéia, eu vejo como ela foi realmente importante para mim. Como aquelas decisões irritantes e sem sentido fazem todo o sentido agora.
Pessoas próximas sabem que minha infancia não foi cheia de luxos, aparelhos caros e jogos de última geração, mas tive muito mais do que o suficiente pra ter uma infancia feliz e saudavel. Enfim, estudei em colégio público (que não era dos piores, mas bem fraco) até a terceira série, quando a Evany cedeu uma bolsa integral no Colégio Objetivo, onde permaneci com boas notas (nem sempre, né) até o segundo colegial, depois mudei de cidade, sem nunca ter tido a chance de prestar homenagem aos professores e a direção durante a formatura de Terceiro Colegial.
Mas a questão é, por que a morte da Evany me abalou TANTO?! Isso é algo que tem me incomodado. Eu nunca fiquei assim, po. Com esse post, descubro meus verdadeiros sentimentos e os expresso como homenagem a essa pessoa. Analisando todos esses anos, onde eu estaria se não fosse por ela? Eu teria permanecido em um Colégio público, provavelmente. Eu saberia o que sei hoje? Eu teria me desenvolvido dessa forma? Por que ela foi tão importante pra mim? Acho que no final, não é tão complexo… Tive boa educação graças a ela. Tive bons relacionamentos graças a ela. Com ela, eu aprendi como ser forte e seguir em frente. Ela me apoiou em momentos dificeis no colégio. Ela me ajudou no desentendimento com professores. Ela entendeu quando abandonei uma aula que estava me fazendo mal. Todas as vezes que precisei conversar algo que envolvia a escola, ou alguém próximo a escola, eu encontrei a Evany em sua sala e fui bem recebido. Infelizmente, eu nunca tive a chance de ter uma conversa longa, boa e desenvolvida com ela. E isso me dói muito hoje. Era uma ótima pessoa para se conversar a desenvolver idéias.
Eu espero não estar sendo desrespeitoso, falando dela sem conhecer bem sua história, sem conhecer sua família, etc. Estou apenas me expressando como alguém que acompanhou a trajetória da direção por alguns longos anos. Po, quarta série a segundo colegial NÃO é pouca coisa… E ainda voltei para lá algumas vezes, sem nunca ter uma conversa por mais de 5 minutos.
Reencontrei velhos amigos recentemente, tanto no ‘real’ quanto no ‘virtual’, e todos compartilham a mesma opinião: A Evany era uma pessoa de personalidade forte, expressava de forma clara sua segurança, sua força. Como eu a via? Indestrutível, eterna. Ouvir a frase “a Evany morreu” não fez sentido algum para mim no momento. Não fez sentido horas depois. Com certeza se enganaram e deram a notícia errada. Devem estar falando de outra pessoa, eu pensei… Não fez sentido até eu vê-la no velório… Eu olhei e não aceitei. Eu me recusei a reconhecer. Não, não era a Evany, tinha que ser outra pessoa. Com certeza é outra pessoa. Como pode a Evany, que 1 ano atrás sorriu para mim no corredor do Colégio e perguntou como eu estava, estar agora ali, num caixão?
Enfim… no final, como eu sempre digo aos meus amigos, a morte é certa, virá para todos nós, e temos que aceitar. Não há o que se fazer. Mas dessa vez eu custo muito a aceitar e superar. Eu não consigo explicar por palavras como sentimentos assim se desenvolveram apenas pelo contato semi-próximo. Espero que alguém entenda o que estou tentando expressar aqui.
Não tenho como prosseguir isso… Apenas desejo força para seus filhos, força para a família, força para o Colégio…
Adeus Evany!
Evany Brazil
maio 22, 2009 às 12:38 pm |
Lembro do teu flog, tinha uma foto lá que vira e mexe eu tinha que pagar…
Não dá foto né, mas da legenda que você tinha escrito pra ela =O.
Tenho que procurar isso nos logs.